domingo, 2 de dezembro de 2012

“Eu quis tanto que passasse, e, está passando. Me sinto completamente decepcionada por isso. O mesmo com o fato de querer que você me queira. Se tivesse acontecido, a decepção viria. Eu não sei como funciona isso. É triste. Não quis conversar, hoje, no telefone, como se você fosse somente mais algum amigo que eu sei tudo e gosto de zoar com a cara. Mas conversei, desse modo. Até com a voz alta. Três horas da manhã, celular no ouvido, e voz alta. Risadas, voz alta. Eu converso assim com um amigo que não curto muito pegar. Não queria que tivesse acontecido. Não queria que esse texto escrito agora fosse um dos primeiros adeus. Ivoluntários. Você me faz escrever e essa é a maior benção que alguém pode fazer na minha vida. Eu não quero que passe, realmente. Mas eu quero. Por favor. Pelo amor de deus. Eu quero que passe, preciso. Não sei mais ficar sem a minha lucidez. É horrível ter dez anos novamente. É horrível passar em frente a lojas, observar qualquer merda e lembrar de você. Lembrar que seria massa te dar aquilo de presente. Mas isso é coisa que menina precoce faz. E você me faz uma menina precoce. Ou não mais.
Foi triste conversar com você. O meu silêncio que fazia das nossas ligações um monólogo possuído só pela sua voz sempre gritou o tempo inteiro: “EU TÔ APAIXONADA POR VOCÊ, CARA!”. E hoje eu conversei. Não houve silêncio, não ouve silêncio.
O que isso significa, Tyler? Me diz, me conta.
Mas, não, nem tudo são só flores (ou espinhos?). Também senti uma maldita vontade de chorar, algumas duas vezes durante a uma hora e seis minutos de chamada. Tremi, até. Mas não saiu nada do meu olho. I don’t know. Eu não sei de mais nada.
Senti vontade de chorar porque eu não quero que passe, mas preciso. Porque eu quero que passe, mas preciso que não passe. Senti vontade de chorar porque você é o mesmo puto inteligente que me abre as portas do mundo que eu quero muito conhecer, mas é inalcançável. Você e o mundo que me mostra, inalcançáveis, incansáveis. Senti vontade de chorar porque você me humilhou, indiretamente. Senti vontade de chorar por ter te atendido, mais uma vez. Senti vontade de chorar porque tudo é uma bosta. Porque tudo conspira para o caos.
“Tudo conspira para o caos, senhorita.”
Você me diz isso com uma certa aceitação desesperadora que me faz arrepiar a nuca. Você me diz muita coisa que me faz arrepiar a nuca. 
“Eu sou mesmo um filho da puta”. E ri.”